No
meu sonho de hoje, uma fresta de luz. Revelam-se potencialidades para lidar com
simples e inéditas situações. Pessoas juntas,
nuas, em banho de chuveiro. Não existe qualquer sintoma de natureza erótica. Equaciono,
ao que parece, pequenos problemas funcionais no local. Necessário apoiadores e ajudantes.
Vislumbro desdobramentos existenciais importantes para questões detectadas. Têm
a ver com buracos na parede, caiação deteriorada, coisas a merecerem reparos. Piso
que dá pena. Há outros defeitos de que não me lembro. O mais característico foi
o extrapolar para o existencial dos envolvidos no sonho. Espessa bruma cobre o
que deixou profunda marca nesta fase da minha vida. Alguns poucos sonhos são reveladores
de estados de espírito a repercutir experiências remotas, ancestralidade e
dotes não conhecidos ou bem conscientizados. Sinto neles, além do simbolismo, o
papel de sinalizadores ao que se seguirá no que resta do meu curto espaço-tempo
de vida. Algo mais animador e oportuno numa humilde existência. Um não-lembrar
para saber.
“Os
neurocientistas têm enfatizado a função dos sonhos na transformação das memórias
de curto prazo para as de longo prazo, o que converge com o que tem sido
discutido nos últimos tempos pela psicanálise, ou seja, a função dos sonhos na
simbolização e assimilação das novas experiências vividas pelo indivíduo.” (Vera
Fonseca, psiquiatra e psicanalista. Folha, 9/7/2016.) Outras vivências nos
aguardam. Para quem não aceita o inconsciente, como o neurocientista Ivan
Izquierdo (contestador da Psicanálise como ciência), a razão é não se poder abrir
um crânio para localizá-lo. O que é muito redutor, diz a psicanalista. Da
entrevista, anterior à de Vera, com Izquierdo, também na Folha (último dia 18),
colhi para reflexão o que ele fala sobre a importância das palavras. Mudar uma
palavra ressignifica toda uma memória. Penso muito em palavras, atropelando
sentimentos.
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