09/07/2016

AURORA

No meu sonho de hoje, uma fresta de luz. Revelam-se potencialidades para lidar com simples  e inéditas situações. Pessoas juntas, nuas, em banho de chuveiro. Não existe qualquer sintoma de natureza erótica. Equaciono, ao que parece, pequenos problemas funcionais no local. Necessário apoiadores e ajudantes. Vislumbro desdobramentos existenciais importantes para questões detectadas. Têm a ver com buracos na parede, caiação deteriorada, coisas a merecerem reparos. Piso que dá pena. Há outros defeitos de que não me lembro. O mais característico foi o extrapolar para o existencial dos envolvidos no sonho. Espessa bruma cobre o que deixou profunda marca nesta fase da minha vida. Alguns poucos sonhos são reveladores de estados de espírito a repercutir experiências remotas, ancestralidade e dotes não conhecidos ou bem conscientizados. Sinto neles, além do simbolismo, o papel de sinalizadores ao que se seguirá no que resta do meu curto espaço-tempo de vida. Algo mais animador e oportuno numa humilde existência. Um não-lembrar para saber.

“Os neurocientistas têm enfatizado a função dos sonhos na transformação das memórias de curto prazo para as de longo prazo, o que converge com o que tem sido discutido nos últimos tempos pela psicanálise, ou seja, a função dos sonhos na simbolização e assimilação das novas experiências vividas pelo indivíduo.” (Vera Fonseca, psiquiatra e psicanalista. Folha, 9/7/2016.) Outras vivências nos aguardam. Para quem não aceita o inconsciente, como o neurocientista Ivan Izquierdo (contestador da Psicanálise como ciência), a razão é não se poder abrir um crânio para localizá-lo. O que é muito redutor, diz a psicanalista. Da entrevista, anterior à de Vera, com Izquierdo, também na Folha (último dia 18), colhi para reflexão o que ele fala sobre a importância das palavras. Mudar uma palavra ressignifica toda uma memória. Penso muito em palavras, atropelando sentimentos.     

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