Na disputa eleitoral entra agora, com maior força, a
afetividade. Sabe-se que tragédias, pequenas ou grandes, podem aclarar as
coisas. Se o homem ideal é difícil figura, o mesmo para o político ideal. Quem
menos sujou a alma, merece toda a atenção.
Se as coisas não vão bem no campo da política, e
quando lutas se reduzem ao choque de um par de opostos, ambos com sérios
comprometimentos, buscar uma “terceira via” soa, pelo menos como pequena luz
nas trevas. É mais do que bom tom. Achar que “o novo” espanta, faz pensar em
espíritos tacanhos. A transitividade desejada, de maus para bons momentos, se
anuncia. Nenhum sistema é remédio para todos os males, mas precisamos investir
nos cidadãos mais ilibados. Quem se apresenta nesse rol? Mesmo em se tratando
de processo – começo continuado... vamos investir aqui. Quem representa a
transição, por mais utópica que ela possa parecer, merece crédito, jamais num
clima de apoio irrestrito. O passado, desde as manifestações de repúdio ao
sistema obsoleto, sinaliza para a importância de uma progressiva
conscientização e de ações concretas... Foi o que faltou aos governantes nos
campos da saúde, da educação, dos transportes, da segurança... Se imaginarmos
que a democracia não pode “instalar-se”, há uma mobilidade capaz de garantir o
exigido desmascaramento dos administradores demagógicos e dos corruptos. Estamos
com a faca e o queijo nas mãos. Com maior equilibração no esforço de autonomia
para o rejuvenescimento do sistema político ao berço das reivindicações, nossa
responsabilidade aumenta para nos impormos como indivíduos coletivos. Democracia
é a liderança e a autonomia grupal, como baliza monitorada pelo Estado. Sei que
a trajetória é difícil, mas não se apresenta outro caminho: decisões devem ser
tomadas sempre por unanimidade, a fim de diminuir a rejeição das minorias. Não
se trata de um ideal romântico... Fora dele é o que perdura e desestimula a mudança.
Temos que aliar inteligência e afetividade. A inteligência é aprendida. Não
pensamos no indivíduo isolado. A ação e a inteligência são a estrutura, buscando
interação da mente com a emoção. Numa ação autoeducativa cabe harmonizar as componentes
interpretações intelectualistas e afetivas. Na atual tempestade das emoções difícil
disciplinar o arsenal de forças. Porém há luzes num túnel de trevas...
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