
Sei que estou na contramão das convenções, seja na temática ou na linguagem. Os que preferem o que é linear e cronológico, o cartesiano claro e distinto, a racionalidade causal, o objetivo laboritarial, passam longe de mim. Provoco desconforto exigindo esforço compreensivo. Meu romance não tem estória. Pareço viver à deriva, produzindo ao acaso o que considero artes da imagem e da palavra. Rituais me perturbam embora reconheça que podem friccionar para que ocorram partidas, a gente se pondo em movimento. Talvez preferíveis a viver em situações de risco. Podemos evitar círculos infernais, consciente de que os preparamos. Somos mais vítimas de nós mesmos do que dos outros. O problema é alimentar expectativas de ajuda e compreensão por parte dos mais próximos. Sei que precisamos de preparação para o páthos que a vida nos reserva. Quem sonha com a redenção provavelmente se frustrará. Vivemos em close, fácil que captem nossas angústias. O espaço de praia e mar, caminhado a dois, Maria e eu, enquanto dá, é um privilégio. É quando surge a boa memória do passado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário