Imagens podem surgir menos da
observação do mundo do que de outras imagens. Olhar as coisas recuperando e as
recombinando, pois, como estão, chegam a não ser o bastante. Necessário ser
sensível e racional, ao mesmo tempo, ainda que com os riscos da exacerbação do
emocional. Fotos de fotos, pinturas de fotos, plotagem de trabalhos plásticos
originais ou alterados. Um periscópio ajuda. Como luneta, o espelho. Blogs e as
redes sociais, espaços de intercomunicação (Twitter, Facebook, a mídia impressa
e falada, a dramática do teatro, entre outros meios de representação, podem
atribuir vida aos personagens focados. Quando se é visto e reconhecido... a
pessoa passa a existir. Fatos ou versões, não importa. Para quem possui uma
visão estética do mundo, não escapa nem a posição de um par de sapatos, a
toalha do banheiro que não deve ficar do avesso, cotovelos sobre a mesa na hora
das refeições, a colcha da cama mal dobrada.
Refúgio na bricolagem de signos é
mais do que um escape. O caso da retomada da figura, ou dos seus fragmentos em
novo design. Buscar outros sentidos, na
busca de novos significados.
No caso de uma vida, em que palavras
têm muito a ver com imagens, necessário manter projetos, inclusive, nas piores
situações. Canalizar boas energias para os embates, utilizando mãos e pés,
nervos e músculos, fígado e rins, transpiração com vassoura, enxada ou pás. Não
temer o lixo que pode ser extraordinário, base para recriações.
Nos desvarios do sangue esquentado,
portas batidas com força, gritos em altos decibéis, até escorregar para aventuras
mais surpreendentes do que as sonhadas. Nem importa que a gente seja atores de
segunda. Dá para ir conduzindo a vida, embora melhor com certa maestria. A que
permite fundar o movimento do corpomente com palavras e imagens.
O que dificulta o bem viver não é
estar assim ou assado, mas a instituição em que se aloja o sujeito. Caso,
também, do político, o cargo que ocupa. O que tem a ver com posições de mando,
ou de poder. Sempre um perigo achar que se é dono da bola e das pessoas. Pior
que tudo é a perda da humildade. Sem humildade repreendemos, censuramos, não
somos compreensíveis face a contextos, nem fraternos.
Voltados para o status quo, bom senso e o politicamente
correto, trata-se de coisas bem
repartidas e que geram hipocrisia.
A respeito da comunicação pela
Internet pode-se utilizar de temas que chegam ou não ao topo da audiência. Face
ao interesse por efeitos muitas vezes desastrosos, difícil compreender o que é
institucional (fundo por trás do que acontece). Ao se escapar dos estereótipos
e da obviedade obscura do senso comum permite-se lidar mais com significados.
Há os que vão se cristalizando ao longo do tempo e geram armaduras que impedem
a percepção da dinâmica das ocorrências. O entorno é reflexo do que somos,
plasmamos e sustentamos com a força do pensamento. Como ir se emancipando da
forma e das convenções transitórias?
Em outras dimensões de vida está o
nosso próprio duplo, não um fiapo de névoa.
Ao alinhavar as ideias aqui
expostas, a base são as imperfeições de quem se expressa. Ninguém é superior a
ninguém. Todos, com frequência, lidam mal com situações vitais, tidas como
problemáticas. Quem não é incorrigível, voluntarioso, turrão... Mais o quê?
Também não basta ter só consciência da doença. Melhor do que receitar é se ver
no espelho... e agir!
Nenhum comentário:
Postar um comentário